Projeto Base: saúde mental que transforma vidas

 Projeto Base: saúde mental que transforma vidas
Jornal a Borda

Em meio às desigualdades históricas que atravessam as periferias brasileiras, iniciativas que promovem saúde mental tornam-se não apenas relevantes, mas, sobretudo, urgentes. Nesse contexto, em Osasco, o Projeto Base vem consolidando um trabalho essencial nas favelas do município ao integrar, de forma articulada, educação, inclusão social e atendimento psicológico gratuito à comunidade. Assim, o Projeto Base estabelece-se como uma ONG que atua nas periferias da cidade promovendo saúde mental, educação e inclusão social de maneira estruturada e contínua.

Foi, portanto, a partir da trajetória de Noellen — mulher preta, periférica, formada em Gestão, com especialização em empreendedorismo social e estudante de Psicologia — que a iniciativa ganhou forma. A partir de suas próprias vivências, surgiu não apenas uma inquietação, mas um propósito concreto: criar uma estrutura de cuidado acessível para quem mais precisa.

Atualmente, com o apoio de mais de 20 psicólogos voluntários, o Projeto Base oferece atendimentos on-line gratuitos a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Desse modo, amplia o acesso ao cuidado psicológico e fortalece a saúde mental como ferramenta de autonomia individual e coletiva.

Em síntese, a proposta parte de uma compreensão simples e potente: saúde mental é direito, não privilégio.

A favela também precisa ser escutada

A favela é território de resistência e construção coletiva; contudo, também carrega marcas profundas de desigualdade. Nesse cenário, quando o sofrimento psíquico não encontra espaço de acolhimento, tende a se transformar em silêncio, conflito e adoecimento.

É justamente nesse ponto sensível que o Projeto Base atua. Assim, oferece atendimento psicológico gratuito com profissionais capacitados e, além disso, garante um espaço seguro de escuta qualificada e orientação, fortalecendo vínculos e promovendo cuidado em saúde mental.

“Meu emocional estava um caos”

Maria Aparecida de Jesus, 58 anos, mãe de três filhos e moradora da comunidade atendida pelo projeto, relata que chegou à terapia em um momento crítico:

“Eu estava com muitos conflitos internos, problemas familiares no relacionamento com minhas filhas. Meu emocional e minha vida como um todo estavam um caos.”

Ela descreve que se sentia confusa, sem expectativas e com intensa vontade de desistir da própria vida. Já havia feito terapia anteriormente, mas precisou interromper por dificuldades financeiras.

“Eu sabia que, mais do que nunca, precisava de ajuda.”

O acesso gratuito foi determinante para que pudesse retomar o cuidado.

O resgate da autoestima

Com o acompanhamento psicológico, mudanças começaram a surgir gradualmente.

“Minha autoestima e meu amor-próprio começaram a voltar. Passei a me reconsiderar uma pessoa lutadora, forte e determinada à superação.”

Segundo Cida, o impacto da psicoterapia foi transformador:

“O resgate da autoestima retorna de forma crescente. A autoconfiança permite avaliar situações que antes pareciam sem saída como oportunidades de crescimento. As decisões deixam de ser só emocionais e passam a ser mais práticas.”

Ela destaca o papel do profissional como suporte fundamental:

“O terapeuta é um ponto de apoio. Posso desabafar sem repreensão, sabendo que a pessoa do outro lado me compreende.”

Autoconhecimento é liberdade

Ao definir o que a terapia representa em sua vida, Cida é direta:

“Autoconhecimento. E autoconhecimento é liberdade.”

Ela também chama atenção para o estigma ainda presente:

“Existem pessoas que resistem à terapia por acharem vergonhoso. Isso mostra como uma informação errada pode atrasar o crescimento físico, mental e até espiritual. Terapia hoje não é luxo, nem frescura. É uma oportunidade vital.”

Transformação que ultrapassa o indivíduo

Iniciativas como o Projeto Base demonstram que oferecer acesso gratuito à psicoterapia em territórios vulnerabilizados é uma estratégia concreta de transformação social.

Quando uma mãe resgata sua autoestima, fortalece sua identidade e recupera a esperança, o impacto reverbera na família, na comunidade e nas próximas gerações.

Saúde mental não é acessório. É base.

E, quando ela é garantida, vidas se reorganizam com mais consciência, autonomia e dignidade. Maria Aparecida afirma:

“O Projeto Base é um projeto fantástico e de utilidade pública gratuito, que busca estar presente na vida das pessoas que os procuram oferecendo profissionais em segmentos diferentes de forma gratuita, por um período até onde o indivíduo consiga caminhar com seus próprios pés.”

Conheça o Projeto Base: https://projetobaseosasco.ong.br/nossa-historia-ong-reduz-violencia-osasco-como-reduzir-violencia-osasco-projeto-para-osasco-crescer-crescimento-da-cidade-de-osasco-formacao-de-lideranca-em-osasco/

Edina Schimitz

Psicóloga e redatora no Jornal Aborda. Escrevo a partir do encontro entre a escuta e a palavra — onde o sentir ganha forma e sentido.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *