Osasco contra a intolerância: ato público marca defesa da diversidade e anuncia Fórum Inter-Religioso
Cerimônia na Sala Osasco reuniu lideranças de diversas crenças e reforçou a urgência de combater o preconceito. Além do ato simbólico, município estrutura políticas permanentes de diálogo e paz.
Por Nahiana Marano
A liberdade de acreditar — ou não acreditar — é um direito sagrado. No entanto, garantir esse respeito nas ruas e nas redes sociais ainda é um desafio diário. Nesse sentido, a Prefeitura de Osasco realizou, na Sala Luiz Roberto Claudino da Silva (Sala Osasco), uma cerimônia solene alusiva ao Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.
O encontro teve como tema “Liberdade ou Intolerância? Em defesa de uma Cultura de Paz e Liberdade de Crença”. Sobretudo, o evento serviu para alinhar a Secretaria Executiva de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado com as lideranças religiosas locais.
Por que precisamos falar sobre isso?
A data de 21 de janeiro não foi escolhida por acaso. Ela homenageia a Iyalorixá Mãe Gilda, que faleceu em 2000 após ter seu terreiro atacado e sua imagem vilipendiada na Bahia. Portanto, o dia serve como um alerta nacional.
Os números mostram que a vigilância não pode parar. De fato, o cenário é preocupante: dados recentes do Ministério dos Direitos Humanos apontam que o Disque 100 registrou 2.774 denúncias de intolerância religiosa entre 2025 e o início de 2026. Infelizmente, as religiões de matriz africana continuam sendo o principal alvo de ataques, o que revela o racismo religioso estrutural no país.
O que muda em Osasco
Além do ato simbólico, a Seppir Osasco vem estruturando políticas permanentes. A pasta comunicou que trabalha na implantação do Fórum Inter-Religioso Municipal, voltado a mediação de conflitos, promoção de respeito e articulação com conselhos e secretarias. A ação se soma a iniciativas recentes do município no campo da igualdade racial (como o COMPIR, conselho municipal ativo).
Essa medida é fundamental para a periferia, onde a convivência entre diferentes fés deve ser pautada pela solidariedade, e não pelo conflito.
Cultura de Paz
O recado do encontro foi direto: a diversidade cultural de Osasco é sua maior riqueza. Dessa forma, a cerimônia buscou não apenas condenar a discriminação, mas valorizar a pluralidade que forma a identidade da nossa gente. A liberdade de crença é direito fundamental e, portanto, precisa de vigilância constante — na rua, nas redes e nas instituições.
Serviço: Não se cale, denuncie!
No estado de São Paulo, casos de preconceito e delitos de intolerância são apurados por unidade especializada da Polícia Civil (DECRADI), sediada na capital. Em âmbito federal, o Disque 100 segue como canal oficial para denúncias de violações de direitos humanos, inclusive contra grupos religiosos. Esses dados alimentam diagnósticos e, assim, orientam campanhas de prevenção.
Intolerância religiosa é crime (Lei 14.532/2023). Se você presenciar ou for vítima de violência por motivos de crença:
- Disque 100: Canal oficial de Direitos Humanos (ligação gratuita e anônima).
- DECRADI: Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Polícia Civil).
- 190: Em caso de emergência ou flagrante imediato.