“Educação Invisível”: as sequelas do ensino remoto, e as dificuldades e superações da alfabetização.

 “Educação Invisível”: as sequelas do ensino remoto, e  as dificuldades e superações da alfabetização.

Criança em processo de alfabetização

Jornal a Borda

“Educação Invisível”: as sequelas do ensino remoto, e  as dificuldades e superações da alfabetização.

Como estão os alunos que perderam alfabetização, matemática e leitura? As escolas têm programas de reforço? Os professores conseguem acompanhar?

   Quando as aulas presenciais voltaram, muita gente acreditou que a vida iria retomar o ritmo como se nada tivesse acontecido. Mas, essa não foi a realidade. Todos precisaram adaptar-se a uma nova vida. E nas escolas isso não foi diferente. Uma realidade silenciosa começou a existir: crianças e adolescentes começaram a juntar os pedaços de uma aprendizagem quebrada pela pandemia. Estudantes não perderam apenas conteúdos, mas também a confiança, rotina, e até a alegria de aprender.

      A sala de aula voltou, mas não como era antes. A maioria dos alunos voltou, mas dessa vez com um medo no olhar. Aos poucos, os problemas começaram a aparecer. Metade das turmas do 5º ano não conseguia ler pequenos textos. Alguns decoravam frases inteiras, mas não conseguiam fazer a leitura completa. Outros escondiam o caderno para não mostrar os erros. Alunos começaram a fugir das aulas de leitura. A educação invisível é o aprendizado que não aparece no boletim, mas se revela no coração das crianças.

      Além da leitura, a matemática também virou um medo. Professores relatam que a maior defasagem está na alfabetização, na leitura e na matemática básica. Coisas simples, como montar sílabas ou fazer contas de dois dígitos, voltaram a ser questões enormes. E a questão não era preguiça dos alunos, era medo, falta de apoio adequado, incentivo, e ensino de qualidade.  

     Ao longo do tempo, as escolas tentam recuperar o que foi perdido, mas é uma corrida contra o tempo. Muitas escolas públicas de Osasco começaram a criar programas de reforço. Alguns acontecem no contraturno, outros aos sábados. Há tutorias rápidas, rodas de leitura, projetos de alfabetização tardia, oficinas de matemática.

Mas a verdade é que os professores vivem divididos entre o desejo de ajudar e o peso da sobrecarga. As salas cheias de alunos, o pouco tempo, a dificuldade de dar a devida atenção a todos. Mesmo assim, cada avanço,  por menor que fosse,  virava motivo de festa.

“Quando um aluno lê a primeira frase sozinho, é como se o mundo desse um passo pra frente.”

  A pandemia não deixou marcas só no aprendizado, mas no emocional. Muitos estudantes carregam a sensação de que “não são bons”. O silêncio deles na sala de aula diz muito: medo de errar, vergonha de tentar, insegurança de levantar a mão. Os professores e a escola precisam ensinar conteúdo, mas antes disso, precisa ensinar que eles merecem recomeçar, dando apoio e confiança.

   Para entender ainda mais de perto essa realidade, conversamos com uma professora que vive diariamente os desafios da recuperação pós-pandemia. Dona Geni Moreira compartilha o que vê, o que sente e o que acredita que precisa mudar.

“ As dificuldades dos alunos em aprender sem a presença do professor, ainda sendo remoto a necessidade do direcionamento do professor presencial. Um atraso em todos os sentidos. As dificuldades só aumentaram e um processo lento. Temos que acompanhar com mais paciência um por um e suas limitações,.Psicólogos nas escolas, investir em materiais pedagógico, menos plataformas, mais livros e professores de apoio”

Mas o que esses alunos precisam? Mais do que reforço, eles precisam de: atenção, escuta, acolhimento, aprendizagem no seu tempo, e metodologias que funcionem no mundo real, e acima de tudo, de alguém que acredite neles antes mesmo que eles acreditem em si mesmos.

     Apesar dos desafios, professores e especialistas insistem: essa geração pode, e vai, se recuperar. Com políticas consistentes, programas contínuos de reforço e, principalmente, com aconchego emocional, os estudantes têm tudo para florescer novamente. E os resultados disso já podem ser vistos, nessa ano de 2025 a cidade de Osasco “ foi contemplada com o Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, na categoria Ouro, concedido pelo Ministério da Educação (MEC). A premiação reconhece os esforços de municípios e estados na implementação de políticas públicas que garantam o direito à alfabetização na idade certa.”

unnamed-2-300x300 “Educação Invisível”: as sequelas do ensino remoto, e  as dificuldades e superações da alfabetização.
Selo nacional de alfabetização

disse a prefeitura de Osasco.

Porque a educação, no fim das contas, sempre foi sobre isso: pessoas cuidando de pessoas.

 

 Referência: https://osasco.sp.gov.br/osasco-e-reconhecida-com-selo-ouro-do-mec-por-boas-praticas-em-alfabetizacao 

taispereira2812

Estudante de Letras, apaixonada por escrita. Buscando levar informações com leveza.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *