Aos 73 Anos, Kátia Coelho Transforma Vida e Emoções em ‘Amor e Poesia’

Kátia Coelho é uma poetisa e cronista autodidata que, aos 73 anos, acaba de lançar seu segundo livro, Amor e Poesia. Com uma escrita sensível e intimista, a autora se aprofunda em temas como amor, natureza e liberdade. Em entrevista exclusiva, Kátia compartilhou com a gente como a escrita se tornou sua forma de expressão e o que a motivou a publicar sua obra após muitos anos de escrita reservada.
JA: Por que poesia? O que você acredita ter de tão especial nos poemas?
KC: Porque poesia é linda, é o que falta no mundo. Poesia no coração das pessoas, nos olhos das pessoas. A poesia resgata sentimentos bons, mexe com as emoções. Por isso é tão especial escrever poemas, porque a gente sabe que, quando a pessoa lê, sente e gosta, a gente mexeu com a emoção dela. E esse é meu objetivo: mexer com a emoção das pessoas e as minhas também.
JA: O que a inspirou a transformar suas vivências e emoções em poesia ao longo desses anos?
KC: A vontade de falar sobre o amor fraterno e do amor apaixonado, que tanto amamos sentir, mas nunca é falado nem discutido nas conversas do dia a dia. É como se fosse um tabu falar de amor hoje em dia.
JA: Entre tantos poemas e crônicas, existe algum que nasceu de um momento especialmente marcante da sua vida?
KC: O que mais mexeu comigo foi um poema que fiz pra minha mãe, que se chama Volte para mim. Nesse dia, eu estava sentindo uma saudade muito grande dela e, de repente, me veio na cabeça: vou escrever pra minha mãe. E foi como se alguém soprasse no meu ouvido aquelas palavras, porque, num instantinho eu fiz o poema; saiu assim, de uma vez só. E depois que eu li, eu nem acreditei que tinha sido eu. E de tudo que já escrevi, é o poema que eu mais gosto.
JA: Como a senhora descreveria o sentimento de publicar um segundo livro aos 73 anos?
KC: É uma satisfação imensa, porque eu nunca imaginei na minha vida que um dia isso aconteceria comigo! Porque antes eu não via um horizonte pra isso; não tinha esperança, nem nada. Mas, quando eu fiquei sozinha, eu comecei a pensar, a ouvir música… de repente, eu achei meus escritos do passado… e pensei: eu vou escrever de novo e comecei. É maravilhoso! É muito realizador a gente escrever e fazer aquilo que a gente gosta. Eu sou muito agradecida a Deus por isso. Às vezes, acho que nem sou tão merecedora, porque isso tem me dado muita alegria, não só escrever o livro, mas escrever em si.
JA: A pandemia foi citada como um momento que reacendeu sua criatividade. O que mudou dentro de você nesse período?
KC: A pandemia reascendeu a minha criatividade. Eu tinha paz, silêncio. Ouvia minhas músicas, assistia a filmes, e tudo era inspiração pra mim. E como eu estava passando por uma fase muito difícil, tratando um câncer de mama, eu pensava: vou me ocupar, porque cabeça vazia não dá certo. E eu consegui, graças a Deus, nem pensar no meu problema de saúde. Os meus dias eram para escrever. Levantava à noite para escrever, quando perdia o sono; até esquecia de comer. Eu só colocava o relógio para despertar nos horários dos remédios, porque se não, eu emendava escrevendo. Eu ficava absorvida, esquecia de tudo! Mas eu adoro fazer isso! Acho que nasci pra isso; só não tive oportunidade antes, porque eu quis ser boa mãe, esposa. Depois que eu dei conta de tudo, isso já estava esquecido em mim. Então, a pandemia serviu pra isso, pois até a minha netinha, que ficava comigo e eu cuidava dela, foi embora para ficar com a mãe dela. E eu fiquei somente, somente, sozinha mesmo. E isso foi bom pra mim.
JA: No início a senhora tinha vergonha de assinar os textos. O que ajudou a superar esse receio?
KC: Como eu não tinha estudo, tinha medo de assinar o que escrevia porque poderia ter erros, até mesmo ortográficos. Mas eu ‘revisava’ pra ver se não tinha nada escrito errado e publicava em grupos de poesia na internet, e escrevia: “autor desconhecido”, que era para eu não me arriscar, ficar envergonhada. Depois de uns três que postei, eu vi que tinha gente que estava gostando, que elogiava. Aí passei a assinar. Entrei em mais grupos e fui muito bem recebida. E assim, eu fui levando a coisa pra frente, fui aprendendo também, porque a gente, quando participa de um grupo de poesia, a gente lê muito os poemas dos amigos. E eu, que não tinha noção de nada, só escrevia do jeito que eu imaginava. Até hoje, me considero uma escritora diferente, porque eu não faço poemas rimados, de quatro em quatro linhas, porque eu nunca aprendi nada sobre disso. Eu escrevia meu texto e colocava lá. Eu digo que meus textos são poéticos, inclusive as crônicas: românticas, sonhadoras.
JA: Há algum momento do seu passado que a senhora ainda deseja transformar em poesia?
KC: Sim. Sobre como foi criar as minhas filhas, do amor e da força que saíram de dentro de mim. Foi uma novela. Mas é um assunto tão extenso… Quem sabe em um romance?
JA: Qual foi a reação da sua família ao ver seus livros publicados?
KC: Quando publiquei o primeiro, a reação da minha família foi boa! Pelo menos foi o que me disseram. Ficaram felizes, mas alguns não deram muita importância, porque acho que não acreditavam muito. Foi uma surpresa pra eles. Agora sim, com o segundo livro, recebi total apoio. Ficaram muito felizes, pois sabem que eu estou fazendo aquilo que gosto, porque depois que eu comecei a fazer poemas e publicar nos meus livros, eu sou outra pessoa. Eu sou feliz! Não tem nada que me deixa triste, só se me faltar alguém da minha família que eu vou ficar muito triste. Mas, fora isso, nada me tira a paz. Nada.
JA: Como foi o processo de selecionar, entre tantos textos, aqueles que entrariam em Amor e Poesia?
KC: Entraram todos os novos textos que escrevi depois da publicação do primeiro livro, que teve 150 páginas. Para Amor e Poesia, que tem 250 páginas, selecionei alguns do primeiro, que eu mais gostava, para entrar também, porque achei que valeria a pena repetir, pois o público que leu o primeiro provavelmente não vai ler o segundo. O primeiro livro eu doei a asilos e casas de repouso, que promovem grupos de leitura, para distrair as pessoas, e presenteei algumas pessoas da família. Já este segundo está à venda em formato digital e físico, uma nova experiência.
JA: O que ainda deseja escrever ou realizar como autora daqui para frente?
KC: Idealizo escrever um livro de romance, uma história de amor. E, se Deus quiser, eu vou conseguir. A partir de 2026, eu já vou começar a trabalhar devagar nisso, não sei quando vou terminar, mas, assim que eu terminar, e se Deus quiser, vou imprimir mais um livro e lançar, o que me deixará muito mais feliz!
Após revelar os bastidores de sua jornada literária, Kátia Coelho deixou uma mensagem clara: a escrita é, para ela, uma forma de liberdade. Para encerrar nossa conversa, a autora nos convidou a refletir sobre o poder da poesia como um meio de transformar emoções e vivências em algo universal e acessível a todos. “Amar e escrever são formas de nos libertarmos”, finaliza a poetisa.